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Dinheiro em Cabo Verde: guia prático

Tudo o que precisa para gerir dinheiro nas ilhas sem pagar de mais: quanto levar, onde levantar, quando o cartão funciona e quando não funciona, e o que fazer ao que sobra no fim.

Atualizado

A moeda, num parágrafo

Cabo Verde usa o escudo cabo-verdiano (CVE). Está indexado ao euro a uma taxa oficial fixa de 1 EUR = 110,265 CVE, administrada pelo Banco de Cabo Verde e sustentada por uma linha de crédito do governo português. Por ser indexado e não flutuante, a taxa não se move de dia para dia — a sua conversão só muda se a sua moeda se mover face ao euro.

Os preços aparecem muitas vezes com um cifrão na posição decimal — 1$50 significa um escudo e cinquenta. É o cifrão histórico, e apanha quase todos os visitantes de primeira viagem desprevenidos. Não é um preço em dólares.

Quanto dinheiro deve levar?

O escudo é uma moeda fechada. Não o consegue comprar antes de voar, e as casas de câmbio fora de Cabo Verde não o têm. A abordagem prática é chegar com euros e converter no terreno, ou levantar escudos num multibanco depois de aterrar.

Quanto depende muito de estar ou não em regime de tudo incluído. Se as refeições e bebidas estão cobertas, a maioria dos visitantes acha que uma verba diária modesta chega para gorjetas, táxis, algumas excursões e uma refeição ocasional fora do resort. Se viaja de forma independente, orce consideravelmente mais — e lembre-se de que muitos dos sítios onde vai querer comer não aceitam cartão.

Levante em poucos montantes maiores em vez de muitos pequenos. Os operadores de multibanco cobram tipicamente por levantamento e não em percentagem, por isso cinco levantamentos pequenos saem-lhe muito mais caro do que um maior.

Cartões: onde funcionam e onde não

A aceitação de cartão em Cabo Verde acompanha de perto a infraestrutura turística. Onde há resorts, há terminais. Longe deles, manda o numerário.

O que esperar, em traços gerais

Resorts e hotéis grandes
Visa e Mastercard aceites de forma fiável. American Express muito menos.
Restaurantes estabelecidos em zonas turísticas
Normalmente sem problema, embora os terminais fiquem offline mais vezes do que seria de esperar. Tenha sempre numerário de reserva.
Táxis, aluguers e transporte local
Só numerário, praticamente sem exceção. Combine o preço antes de arrancar.
Mercados, comida de rua, cafés pequenos
Só numerário. É aqui que as notas de escudo de menor valor fazem falta.
Excursões e passeios de barco
Varia com o operador. As agências maiores aceitam cartão; os operadores independentes preferem muitas vezes numerário, por vezes em euros.

A rede Vinti4

A Vinti4 é a rede nacional de multibanco e cartões de débito de Cabo Verde. Se vir o logótipo Vinti4 numa máquina, ela aceita Visa e Mastercard internacionais além dos cartões locais.

A cobertura é boa em Santa Maria e nos Espargos, no Sal, nas principais zonas de resort da Boa Vista, e na Praia e no Mindelo. Rareia depressa nas ilhas mais tranquilas — a Brava, o Maio e o interior de Santo Antão têm pouquíssimas máquinas, e as que existem podem ficar sem dinheiro ao fim de semana. Se vai mudar de ilha, levante antes de sair da localidade maior.

As máquinas dispensam escudos, não euros. Verifique se o seu banco cobra comissão por transação estrangeira e, se o multibanco se oferecer para converter para a sua moeda, recuse — isso é conversão dinâmica de moeda, e a taxa que usa é sistematicamente pior do que a do seu banco.

Pagar em euros: o custo escondido

Muitos estabelecimentos em zonas turísticas aceitam euros diretamente. Quase todos convertem a um redondo 1 € = 100 escudos em vez dos 110,265 oficiais. É um custo escondido de cerca de 9,3% em tudo o que comprar dessa forma — não apresentado como comissão e raramente afixado.

Normalmente não é uma vigarice, é uma convenção: o número redondo é mais fácil para toda a gente, e a margem é um bónus discreto para o negócio. Mas o dinheiro é seu, e ao longo de duas semanas a diferença soma um valor que se nota. Pagar em escudos evita isto por completo.

Gorjetas

As gorjetas são apreciadas mas não rigidamente esperadas. Em restaurantes, arredondar para cima ou deixar cerca de 5–10% por bom serviço é normal. Pequenas gorjetas para limpeza, bagageiros e guias são habituais. Dê gorjeta em escudos sempre que puder — uma moeda de euro entregue a um funcionário tem de ser convertida por alguém, normalmente a uma taxa que joga contra essa pessoa.

Escudos que sobram

Gaste-os antes de voar. O escudo é difícil e caro de trocar depois de sair, e a maioria das casas de câmbio fora do país nem sequer lhe toca. As lojas do aeroporto aceitam escudos, e compensa guardar o suficiente para um café no dia da partida e para as últimas compras, em vez de converter de volta a uma taxa má.

Fonte: Banco de Cabo Verde